Os porta-relicários decorados com cenas do ciclo cristológico, como referência à Terra Santa, foram particularmente populares durante o período inicial após o Iconoclasmo. Estas cenas do Novo Testamento simbolizavam os princípios dogmáticos básicos da Encarnação e da Salvação; quando estas cenas decoravam tais relicários, que também tinham a forma de cruz e continham pedaços do Santo Lenho, como o que aqui se apresenta, considerava-se que reforçavam ainda mais as propriedades apotropaicas da própria cruz. Trata-se de um amuleto pessoal, pelo que o santo padroeiro do seu possuidor, neste caso São Tomé, foi também representado na cruz. Esta peça está associada, tanto pela iconografia como pela técnica, a um grupo de amuletos luxuosos que datam do início do século IX e do século X, e que se considera terem sido fabricados em Constantinopla ou noutros grandes centros urbanos.